Fortaleza Digital, livro do escritor
estadunidense Dan Brown (Editora Sextante; 297 páginas), é um livro de ficção que
conta uma interessantíssima história envolvendo a Agência Nacional de Segurança
– NSA, importante agência de espionagem norte americana que tem o desiderato de
interceptar todas as transmissões de dados e voz que circulam pelo mundo. O
papel principal da NSA é descodificar informações que circulam pelo mundo de
forma cifradas ou criptografadas.
A presente ficção conta com a presença de três personagens importantes na trama: Susan Flecher, especialista em criptografia, chefe do Departamento de Criptografia da NSA, que quando adolescente se interessou por criptografia no ensino médio, quando um de seus amigos digitou para ela uma poesia de amor e encriptou-a usando uma cifra de substituição numérica. Susan encucada com o poema criptografado conseguiu decifrá-lo e se encantou magicamente pela poesia. Quase vinte anos depois, logo após completar seu mestrado em matemática pela Johns Hopkins e de obter uma bolsa integral para estudar Teoria dos Números no MIT – Instituto de Tecnologia de Massachusetts – logo em seguida foi convidada para trabalhar na NSA.
David Becker, professor titular da Universidade de Georgetown, especialista em línguas estrangeiras, dotado de uma prodigiosa memória, fluente em vários idiomas com domínio em seis dialetos da Ásia.
Comandante Strathomore, vice-diretor de
operações da SNA, homem de 56 anos. Acima de Strathomore só existia na
hierarquia da agência de segurança, o Diretor Leland Fontaine.
NSA é a sigla para Agência Nacional de Segurança, fundada e criada pelo Governo do Presidente Truman, no dia 4 de novembro de 1952, considerada a agência de inteligência mais clandestina do mundo por quase cinquenta anos. A NSA tem por objetivo proteger as comunicações do governo dos Estados Unidos da América do Norte e, principalmente, interceptar as comunicações de forças estrangeiras. Faz parte do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
Número de funcionário é mantido em sigilo, entretanto, supõe-se que existam entre trinta a quarenta mil funcionários.
A sede da SNA tem 350 mil metros quadrados e fica localizada nas colinas de Fort Meade, em Maryland.
Dentro da SNA existe uma divisão global de reconhecimento denominada de Comint (Communications Intelligence). A é uma rede de postos de escutas, satélites, espiões e grampos de telefones ao redor do planeta. Diariamente, milhares de comunicados, conversas são interceptadas e enviadas para a SNA, onde são decodificadas e, se for o caso, distribuídas para o FBI, DEA e CIA e, também, para consultores de políticas externa dos EUA.
Pois bem. A estória-ficção começa com a morte de um ex-funcionário da SNA, Ensei Tankado, em uma praça na cidade de Sevilha, Espanha. Aparentemente a morte de Ensei Tankado decorreu de um fulminante ataque cardíaco. Entretanto, com a tentativa de socorre-lo algumas pessoas se aproximam e Tankado vendo que ali sua vida de esvaia tenta desesperadamente entregar, a qualquer pessoa, um anel dourado com inscrições entalhada.
Diante da misteriosa morte do ex-funcionário da SNA começa a se desenrolar uma trama incrível, onde Susan, Becker e outras pessoas são manipuladas pelo vice-diretor da SNA, o comandante Strathomore.
A ideia central da trama é que Ensei Tankado, por discordar da política de violação de privacidade de milhões de pessoas pelo mundo, blefa ao sugerir que criou um programa que seria indecifrável e que disponibilizaria seu programa, gratuitamente, para todos as pessoas interessadas em manter suas mensagens no mais absoluto sigilo.
Porém, a SNA possui um supercomputador chamado de TRANSLITER, criando em 1980. O TRANSLITER tinha custado aos cofres públicos norte-americanos 1,9 bilhões de dólares e possuía nada mais, nada menos que três milhões de processadores e vários anos de pesquisa e estudos para seu desenvolvimento.
O suposto programa indecifrável, na verdade, era uma potencial ameaça ao mais espetacular computador criado pela mente humana e para o comandante Strathomore isso jamais poderia acontecer. O programa teria uma série criptografada indecifrável. Pois assim, caso o programa de Tankado caísse em domínio público, tornaria o supercomputador totalmente obsoleto e milhões de dólares seriam jogados na lata do lixo, e o pior, deixaria, os Estados Unidos totalmente à mercê de terroristas, traficantes e demais inimigos potenciais ou imaginários do poder dos Ianques. A SNA deixaria de existir.
No desenvolver da estória, demonstra o potencial controle que as agências de espionagens norte americanas têm em todo o nosso planeta. Eles controlam tudo, desde conversas telefônicas até os mais sigilosos e-mails de qualquer pessoa. Desde pessoas comuns até chefes de Estados.
Por fim, descobre-se que o suposto programa indecifrável, não passa de um programa viral redundante que deixa o supercomputador TRANSLITER trabalhando por horas sem um lograr êxitos em seus objetivos de decifrar códigos criptografados.
O livro mostra, como é peculiar nos livros de autoria de Dan Brown, um fio bastante tênue entre a ficção e a realidade.
A ficção fica caracterizada pela estória vibrante que o autor mostra em seu livro. Já a realidade fica explicita ao mostrar ao leitor a existência concreta da SNA, órgão do Governo dos Estados Unidos que ficou desconhecida por vários anos, suas ações e seu papel pelo mundo.
Hoje, assistimos, diariamente, a mídia mostrar ao Mundo o que o Governo dos Estados Unidos é capaz de fazer para manter intacto seu poderio econômico, industrial, político e, principalmente, militar. O uso da tecnologia da informação é primordial para manter a hegemonia dos norte-americanos diante de outras nações.
Diante da espionagem eletrônica, dois personagens saltaram da ficção para a realidade, e mostraram ao Mundo como os Estados Unidos conseguem espionar “amigos” e “inimigos” sem nenhum escrúpulo, desde Angela Merkel, Primeira Ministra da Alemanha a Presidente do Brasil, Dilma Rousseuff, até grandes empresas como a Petrobras etc, Bradley Edward Manning, soldado estadunidense, analista de informação no Iraque e no Afeganistão e Edward Snowden, especialista em computadores que trabalhou na CIA e foi também funcionário da SNA.
O cúmulo do absurdo da espionagem americana é que nem os congressistas estadunidenses escapam aos olhos e ouvidos do Tio Sam.
O primeiro, Bradley Edward Manning propagou ao Mundo o poder norte-americano ao relatar assassinatos de vivis, ordens de execução, traição de aliados, corrupção de adversários etc. Especula-se que a chamada “Primavera Árabe” só ocorreu após Bradley Edward Manning dispor ao público o alto grau de corrupção e submissão dos títeres que governavam os países na região.
O segundo, Edward Snowden, por sua vez, mostrou como o governo dos Estados Unidos espionavam todas as formas de comunicação (telefonia e e-mails) de países tidos como amigos pelo governo da Casa Branca, Algela Merkel e Dilma Rousseff.
Nada e ninguém está absolutamente a salvo da espionagem dos Estados Unidos.
Como a SNA é uma instituição que se enquadra no Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América há mais de 50 anos, então, conclui-se que desde os distantes anos 50 as nações têm seus sistemas de comunicação violados pelo governo imperialista norte-americano, década a década, tudo em nome das liberdades democráticas, lógico, do ponto de vista dos governos norte-americanos.
Só para se ter uma ideia do alto grau de espionagem, não há números precisos, mas em janeiro passado o Brasil ficou pouco atrás dos Estados Unidos, que teve 2,3 bilhões de telefonemas e mensagens espionados.
O Brasil, com extensas redes públicas e privadas digitalizadas,
operadas por grandes companhias de telecomunicações e de internet, aparece
destacado em mapas da agência americana como alvo prioritário no tráfego de
telefonia e dados (origem e destino), ao lado de nações como China, Rússia, Irã
e Paquistão (fonte: http://oglobo.globo.com/mundo/o-escandalo-da-espionagem-dos-eua-10191175).
Mesmo com os protestos de vários países, Dilma Rousseff fez até um discurso na Assembleia Geral da UNO, pela interrupção imediata do programa de espionagem dos Estados Unidos, com certeza os EUA não vão querer cessar sua supremacia em todo o Mundo.
Por fim, faço esse paralelo entre a ficção do livro “Fortaleza Digital” de Dan Brown com os fatos amplamente divulgados na mídia nacional e internacional sobre a força do imperialismo dos Estados Unidos em espionar todas as nações e todos os cidadãos do mundo, uma afronta sem precedentes, na garantia dos direitos individuais e, principalmente, uma violação aos direitos de proteção a intimidade e a inviolabilidade das comunicações dos cidadãos do Mundo. O "Olho da Providência".
