sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O Retrato de Dorian Gray


Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde, ou simplesmente Oscar Wilde (Dublin, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, atual República da Irlanda, 16 de outubro de 1854 — Paris, França, 30 de novembro de 1900) foi um influente escritor, poeta e dramaturgo britânico de origem irlandesa. Depois de escrever de diferentes formas ao longo da década de 1880, ele se tornou um dos dramaturgos mais populares de Londres, em 1890. Hoje ele é lembrado por seus epigramas e peças, e as circunstâncias de sua prisão, que foi seguido por sua morte precoce.

O Retrato de Dorian Gray começa em um ensolarado dia de verão na Inglaterra da Era Vitoriana, onde Lorde Henry Wotton, um homem opinativo, observa o sensível artista Basil Hallward pintar o retrato de Dorian Gray, seu anfitrião, e lindo jovem que é a musa final de Basil. Depois de ouvir a visão de mundo hedonista de Lorde Henry, Dorian começa a pensar que a beleza é o único aspecto da vida que vale a pena seguir, e deseja que o retrato de Basil envelheça em seu lugar.


Sob a influência hedonista de Lorde Henry, Dorian explora plenamente a sua sensualidade. Ele descobre a atriz Sibyl Vane, que atua em peças de teatro de Shakespeare em um sombrio teatro da classe trabalhadora. Dorian se aproxima e a corteja, e logo propõe casamento. A apaixonada Sibyl o chama de "Príncipe Encantado", e desmaia com a felicidade de ser amada, mas seu irmão protetor, James, um marinheiro, adverte que, se seu "Príncipe Encantado" magoá-la, ele vai matar Dorian Gray.


Dorian convida Basil e Lorde Henry para ver Sibyl atuar em Romeu e Julieta. Sibyl, cujo o único conhecimento do amor foi através do amor ao teatro, renuncia a sua carreira de atriz para experimentar o amor verdadeiro com Dorian Gray. 

Desanimado por ela ter abandonado o palco, Dorian rejeita Sibyl, dizendo-lhe que atuar era a sua beleza; sem isso, ela já não era interessante. Ao voltar para casa, Dorian percebe que o retrato foi alterado; seu desejo realizado; o homem do retrato carrega um sorriso sutil de crueldade.


Conscientemente ferido e solitário, Dorian decide se reconciliar com Sibyl, mas é tarde demais, enquanto Lorde Henry informa que Sibyl se matou por engolir ácido cianídrico. Dorian, então, entende que, a partir daí, sua vida dirigida pela luxúria e boa aparência seria suficiente. Nos dezoito anos seguintes, as experiências de Dorian, com todos os seus vícios, são influenciadas por um romance francês moralmente venenoso, um presente recebido do decadente Lorde Henry Wotton.


Uma noite, antes de partir para Paris, Basil vai à casa de Dorian lhe perguntar sobre os rumores de seu sensualismo auto-indulgente. Dorian, não nega sua devassidão, e leva Basil a um quarto fechado para ver o retrato, que havia se tornado hediondo pela corrupção de Dorian. Na raiva, Dorian culpa seu destino sobre Basil, e o apunhala até morrer. Dorian depois calmamente chantageia um velho amigo, o químico Alan Campbell, para destruir o corpo de Basil Hallward em ácido nítrico.

Para escapar da culpa de seu crime, Dorian vai para um antigo antro de ópio, onde James Vane está inconscientemente presente. Ao ouvir alguém se referir a Dorian como "Príncipe Encantado", James o procura e tenta atirar em Dorian. Em seu confronto, Dorian engana James ao fazê-lo acreditar que é muito jovem para ter conhecido Sibyl, que se suicidou dezoito anos atrás, já que seu rosto ainda é o de um jovem. James cede e libera Dorian, mas depois é abordado por uma mulher do antro de ópio que reprova James por não matar Dorian. Ela confirma que o homem era Dorian Gray e explica que ele não envelheceu em dezoito anos; compreendendo demasiado tarde, James corre atrás de Dorian, que se foi.


Uma noite, durante o jantar em casa, Dorian espiona James rondando a casa. Dorian teme por sua vida. Dias depois, durante uma caçada, um dos caçadores acidentalmente atira e mata James Vane, que estava escondido em um matagal. Ao retornar a Londres, Dorian diz para Lorde Henry que irá ser bom a partir de então; sua nova probidade começa com não partir o coração da ingênua Hetty Merton, o seu interesse romântico atual. Dorian se pergunta se sua bondade recém-descoberta teria revertido a sua corrupção no retrato, mas ele só vê uma imagem mais feia de si mesmo. A partir daí, Dorian entende que seus verdadeiros motivos para o auto-sacrifício de reforma moral foram provocados pela vaidade e a curiosidade pela busca de novas experiências.


Decidindo que só a completa confissão iria absolvê-lo de delitos, Dorian decide destruir o último vestígio de sua consciência. Enfurecido, Dorian pega a faca com que ele assassinou Basil Hallward e apunhala o retrato. Os servos da casa acordam ao ouvir um grito do quarto fechado; na rua, os transeuntes também ouvem o grito e chamam a polícia. Ao entrarem na sala trancada, os servos encontram um velho desconhecido, esfaqueado no coração, seu rosto está seco e o corpo decrépito. Os servos identificam o cadáver desfigurado pelos anéis nos dedos que pertencem ao seu mestre; ao lado deles está o retrato de Dorian Gray, que regressou à sua beleza original.


Personagens:


Dorian Gray — um jovem atraente e narcisista, encantado com o "novo" hedonismo de Lorde Henry. Ele se entrega a cada prazer (moral e imoral), onde esta vida eventualmente o leva à morte.


Basil Hallward — um homem profundamente moral, o pintor do retrato, e encantado por Dorian, cujo patrocínio impulsa seu potencial como artista. O retrato de Dorian Gray é a obra-prima de Basil.


Lorde Henry "Harry" Wotton — um arrogante aristocrata e um dândi decadente que defende uma filosofia de hedonismo auto-indulgente. Inicialmente, amigo de Basil, ele o negligencia pela beleza de Dorian. O personagem do espirituoso Lorde Harry é uma crítica da cultura vitoriana Fin de siècle – da Grã-Bretanha no final do século XIX. A visão de mundo libertina de Lorde Henry corrompe Dorian, que então começa a emulá-lo com sucesso. Para o aristocrata Henry, o artista observador Basil diz: "Você nunca diz algo moral, e você nunca faz algo errado".


Sibyl Vane — uma talentosa atriz e cantora, ela é uma pobre, jovem bonita, por quem Dorian se apaixona. Seu amor por Dorian arruína sua capacidade de atuar, porque ela já não encontra mais prazer em retratar o amor ficcional enquanto está experimentando o verdadeiro amor em sua vida. Sibyl se mata ao saber que Dorian não a ama; em que, Lorde Henry a compara com Ofélia em Hamlet.


James Vane — o irmão de Sibyl, um marinheiro que parte para Austrália. Ele é muito protetor de sua irmã, especialmente porque sua mãe só se preocupa com o dinheiro de Dorian. Acreditando que Dorian possa magoar Sibyl, James hesita em ir embora, e promete vingança sobre Dorian se qualquer coisa acontecer a ela. Depois do suicídio de Sibyl, James torna-se obcecado em matar Dorian, e persegue-o, mas um caçador acidentalmente mata James. A luta do irmão por vingança sobre o amante (Dorian Gray), pela morte de sua irmã (Sibyl) se assemelha à vingança de Laertes contra o príncipe Hamlet.


Alan Campbell — químico e amigo por um tempo de Dorian, que terminou sua amizade quando a reputação do libertino Dorian desvalorizou tal amizade. Dorian chantageia Alan em destruir o corpo assassinado de Basil Hallward; Campbell depois atira em si mesmo.


Lorde Fermor — o tio de Lorde Henry, que diz a seu sobrinho, Lorde Henry Wotton, sobre a linhagem da família de Dorian Gray.


Victoria, Lady Wotton — a esposa de Lorde Henry, a quem trata com desdém; ela se divorcia dele.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Fortaleza, História, Tradição e Glória

Fortaleza, história, tradição e glória, livro escrito em coautoria por Airton de Farias e Vagner de Farias (Armazém da Cultura; 183 páginas), é um livro que conta a história do futebol cearense, desde os tempos românticos até nossos dias. Começa contando como foi a chegada do football numa Fortaleza ainda provinciana no auge da sua belle époque. Nossa cidade ainda incipiente, circundada por poucas ruas, sob forte influência cultural da Europa, principalmente Inglaterra e França.

A introdução do futebol em terras de Alencar, os primeiros jogos em um campo próximo ao Passeio Público, um esporte eminentemente aristocrático voltado para o congraçamento da classe dominante.

Até então o futebol servia para mostrar a virilidade do típico homem branco europeu presumidamente superior ao africanos e ameríndios. Com a força política, econômica e cultural da Europa (Inglaterra e França), manifestada numa ideologia de superioridade racial, onde intelectuais defendiam teses preconceituosas e racistas, “verdades científicas”, da “inata superioridade da raça branca”, o que tornaria a os europeus mais “aptos” que os povos mestiços, negros, indígenas (pág.19).

O esporte bretão, como era conhecido, usava em abundância termos de origem inglesa, como: football, match, scrath, field, player, goalkeeps, referee, back, forward, footballers etc (pág.21).

Aos poucos aquele esporte introduzido no nosso Estado, onde deveria ser um ponto de convergência de uma exclusiva elite branca, passa a ser um atrativo ao resto da população, e ter uma forte penetração nas camadas mais pobres da nossa população. Operários negros, brancos e mestiços passaram a disputar partidas de futebol e conseguiram se destacar em campo fazendo com que os clubes da elite fortalezense aceitassem em seus quadros essa nova classe.

O bom do livro é que os autores não se restringem somente a história do futebol, nem do surgimento do Fortaleza Esporte Clube, apesar de ser o foco do livro; focalizam temas sociais, políticos, conjunturais, raciais e sobre as mudanças sociais da nossa cidade. Mostram, os autores, que o futebol quebrou algumas barreiras impostas por uma mentalidade de superioridade branca.

Fortaleza Esporte Clube, surgiu em 18 de outubro de 1918, clube de glória e tradição ou o time daquelas camisas, da mística camisa tricolor. O clube surge da metamorfose do Stella, time fundado em 1915. Segundo os autores (pág.45) em 1912 Alcides Santos fundou um time chamado Fortaleza Sporting Club, mais tarde, em 1915 é transformado em Stella, aliás, vale frisar que o nome vem do italiano e quer dizer estrela. Em 1918, novamente, passou a ser denominado de Fortaleza Sporting Clube.

Apesar da divergência histórica prevalece entre historiadores, e, oficialmente, pelo clube a data de fundação como sendo 18 de outubro de 1918.

Alcides Santos é o grande nome do Fortaleza Esporte Clube e do futebol cearense. Hoje seu nome é eternizado no estádio do Leão, localizado no bairro do Pici.

Vale destacar que o livro tem um grande acervo de fotos que, habilmente, vem documentar ilustrativamente nossa grandiosa história.

Por fim, é importante destacar o belo prefácio do livro, da lavra do cantor, compositor e produtor Calé Alencar.


Livro que recomento.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Sete desafios para ser rei

Sete desafios para ser rei, livro do escritor holandês Jan Terlouw (Editora Ática; 167 páginas), é um livro de ficção juvenil que conta a história de um jovem que nasceu no dia da morte do rei de seu país.

A história de passa na cidade de Katoren, cuja capital é Wiss. O rei de Katoren, já bastante idoso, tinha como último desejo morrer em uma noite de tempestade, com raios e trovões.

Naquela mesma noite, nasceu Stach. O pai de Stach era um pedreiro que trabalhava na restauração da catedral de Santo Aluísio, a maior da capital Wiss. Na manhã seguinte a morte do rei e ao nascimento de seu filho Stach, um mensageiro do palácio pediu que o pedreiro que hasteasse, no alto da torre da catedral, a bandeira a meio pau. No cumprimento dessa simples tarefa o pedreiro, por ter passado a noite acordado aguardando o nascimento do filho, escorregou do alto da torre e morrera. A mãe de Stach, após a notícia da morte de seu esposo ficou profundamente abalada, foi acometida por uma doença e morreu dias depois.

A criança foi então criada por seu tio de nome Gervásio, fiel criado do rei.

Como o velho rei não tinha deixado descendentes, ou seja, ninguém para sucedê-lo no trono do Katoren, o país passou a ser governado por seis ministros que formariam um governo provisório. A promessa dos ministros ao povo de Katoren era que em breve um novo rei seria escolhido para governar o país.

Após dezessete anos da morte do rei, o jovem Stach, determinado a se tornar o novo rei de Katoren, confronta os ministros e se candidata para sucedê-lo.

Os ministros eram: Carlos Recto, ministro da Honestidade, Bonifácio Hermano, ministro da Virtude, Antonio Ligeiro, ministro da Eficiência, Sebastião Dureza, ministro do Regulamento e da Ordem, Henrique Sisudo, ministro da Severidade, Felipe Vassouras, ministro da Limpeza, sentindo seus interesses ameaçados, escolhem sete desafios, aparentemente impossíveis de serem resolvidos, para que o jovem Stach cumpra.

São desafios de governo, isto é, o jovem terá que resolver alguns dos problemas enfrentados pelas cidades do reino. 

Stach terá de viajar por todo o reino e vencer cada desafio. As provações impostas pelos governantes seriam:

1º - silenciar os pássaros ensurdecedores da cidade de Decibel;

2º - cortar o pé de romã explosivo da cidade de Polvorinho;

3º - exterminar o dragão de sete cabeças da cidade de Fumaceira;

4º - fazer com que as igrejas da cidade de Ecumênica, parassem de se moverem;

5º - pular de cima da torre da catedral;

6º - resolver o problema do nariz vegetal;

7º - O sétimo e último desafio era sentar na cadeira de pedra do Forte da Floresta.

Os pássaros de Decibel

Decibel era uma cidade que se localizava no extremo nordeste do reino de Katoren. Ao chegar à cidade Stach foi dominando por uma estranha sensação de abandono. Os habitantes caminham sempre apressados e silenciosos. Todos naquela cidade usavam gorros ou tinha a cabeça coberta.

Ele saiu andando pelas ruas de Decibel a procura da prefeitura da cidade, quando de repente uma moça sai correndo de sua casa e vai a sua direção gritando; entram na casa desta moça e conversa. Ela vai falando sobre os pássaros que periodicamente sobrevoam a cidade fazem um barulho estridente. O problema é que os pássaros quando estavam reunidos faziam tanto barulho em uma intensidade tão grande que acabava rompendo os tímpanos e deixava as pessoas surdas caso não tivessem protegidos seus ouvidos com tampões. A moça lhe dá um tampão de ouvido e lhe dar informações onde ficaria a prefeitura, então Stach vai à prefeitura e fala com prefeito sobre suas intenções.

Após conhecer o prefeito da cidade, Stach é convidado participar de uma reunião com os vereadores da cidade e explicar sua missão. Porém, na reunião, cada vereador tinha sua própria ideia a respeito do problema: Moven, queria produzir um som no qual os pássaros não gostassem, já uma senhora queria construir uma cúpula de vidro ao redor da cidade e o Blankert queria fazer com que os pássaros imitassem outro som produzido por eles.

No dia seguinte à reunião com os vereadores, Stach, vai a uma loja de som, fala com o dono para lhe emprestar os equipamentos como apoio, mas o proprietário da loja não concorda, mas ao chegar seus filhos que concordam com a ideia, daí ele coloca todo os equipamentos na praça da cidade e fica esperando os pássaros aparecerem; eles aparecem e Stach aumenta o volume do som e os pássaros começam a competir com o som, entretanto, os pássaros acabam ficando com problemas nas cordas vocais e param de cantar, todos pensam que estão surdos mas começam a escutar os barulhos das portas, da tosse e etc. O problema foi resolvido, então é declarado sete dias e sete noites de festa na cidade de Decibel.

Cortar o pé de romã explosivo da cidade de Polvorinho.

Stach volta para Wiss e é designado para uma nova missão, descobrir porque uma árvore de Romã solta granadas.

Ao chegar à cidade de Polvorinho, Stach vai até o prefeito e fala para ele fechar a fábrica de granadas, mas ele não aceita, pois a fábrica gera muito emprego para os cidadãos e produz armamentos que servem para a defesa do país. Então, Stach, inventa junto com o prefeito uma história para enganar os ministros e parar a produção de granadas. A história é que a prefeitura tem que contratar um administrador para a fábrica, senhor Smith, alegando que a prefeitura tem dado muito trabalho, daí eles param de fabricar granadas e passam a fabricar fogos de artifício sem pólvora, então as romãs começam a parar de ser explosivas. Dois meses depois as romãs não mais assustam ou causam perigos com suas explosões, o problema foi resolvido.

Então, novamente, Stach volta para Wiss avisando que havia terminado a segunda missão, mas os ministros não acreditam, e dizem que as árvores caíram somente depois lerem a carta do prefeito da cidade de Polvorinho mudaram de opinião.

A próxima missão seria derrotar o dragão de sete cabeças.

Stach partiu para a cidade de Fumaceira, chegando lá percebe que quase ninguém anda nas ruas, a maioria dos cidadãos gosta de trabalhar e são ricos, então ele tem uma ideia.

Pede alguns materiais, que somente um senhor fabricava. Pede para os demais cidadãos recolherem todos os pássaros que encontrarem mortos e entregando-os. Stach abre a barriga de cada pássaro e coloca os materiais que ele pediu; feito isso ele pede para os dragoneiros jogarem os pássaros lá bem perto do dragão de sete cabeças; o dragão come os pássaros e fica com enxofre, salitre e carvão no seu organismo, então ele procura algo que faça uma explosão grande mas não encontra, então ele pergunta ao prefeito se ele tem fogos de artifício, ele diz que tem, então ele pega os fogos e vai ao pântano onde habita o dragão; quando o dragão está se aproximando ele atira os fogos de artifícios, Stach pensa que errou, mas o dragão abre sua boca e engole os fogos e explode e o céu de Fumaceira volta a ficar azul e recebendo os raios de sol, ele descobriu que o dragão não poderia pegar sol, por isso uma grande fumaça amarela de enxofre cobria a cidade.

Stach é designado para sua quarta missão, que seria fazer com que as igrejas da cidade de Ecumênica parassem de se mover; ele observa que elas destroem tudo quem vem pela frente, mas aí ele tenta fazer com que elas se encontrem no Ático, e quando elas se encontram param de se mover, a cidade faz a maior festa.

Pensando ele, que vinha a quinta missão, os ministros tentaram enganá-lo querendo aumentar os números de desafios, porém, não houve acordo entre os ministros, então foi criada mais uma missão, chamada de quarta. A missão era pular de uma torre da catedral, mas, seu tio foi ao jornal mais popular do reino e mandou postar qual era o desafio, todos viram e levaram travesseiros.

No início, Stach não iria pular, mas, quando observou que todos ali o apoiavam, ou seja, fizeram uma torre de travesseiros, resolveu pular, pulou e pulou mais se uma vez e quando terminou de pular foi em busca da quinta missão.

O nariz de vegetal.

Sua quinta missão seria ir a Ingenuinópolis, resolver o problema do nariz vegetal. Assim que chegou percebeu que a cidade era bastante pobre, pois não havia ruas asfaltadas, as casas eram pequenas etc., tratou logo de procurar o prefeito da cidade, dessa vez foi mais difícil de encontrá-lo, então foi à casa do prefeito, nem o prefeito sabia o que estava acontecendo na cidade. Stach descobre, entretanto, que foi a esposa do prefeito que mandou a carta para os ministros.

Stach teria que fazer pomadas para tratamento do nariz vegetal ficarem mais baratas, ele entra numa reunião de taras, e vê não tem reunião nenhuma que era apenas uma reunião em que os médicos bebiam, ele consegue enrolar uma tara que lhe fala a receita: terra do pântano, farinha fermentada, óleo e vinagre, para dar a cor ele pingava corante.

Ele tentou falar para o prefeito, mas, o prefeito não acreditou, ele jogou fora a pomada feita pelo tara e fez outra na frente do prefeito, então foi que começaram a acreditar, ele não acreditou na primeira vez porque a consulta com o tara era muito cara e o remédio então nem se fala, por isso que quase ninguém se curava, era preciso reaplicar o remédio para os narizes desaparecem ele descobriu isso quando pediu alguns restos de pomada juntou tudo e entregou a uma menina que tinha o nariz vegetal, ela percebeu que o nariz estava diminuindo, ele convoca todos para irem a praça para ver, ele ensina como faz, as pessoas ficam alegres e com raiva ao mesmo tempo, por terem sido enganadas esse tempo todo.

Mas para voltar nem Stach, nem o prefeito tinham dinheiro, mas aí a esposa do prefeito lembrou que tinha um dinheiro guardado, era do piano que eles iam comprar. Com esse dinheiro deram sua passagem para Stachg voltar para Wiss.

Pataar, o feiticeiro.

Sua sexta missão era ir para a cidade chamada Equilibrium, descobrir por que a cidade tinha um feiticeiro que visitava a cidade toda as noites. Stach assim que chega vê que a cidade é muita bonita e aparentemente não tem nada de estranho, então procura a prefeita, que diz a ele para ir embora; que ninguém tinha, até então, conseguido resolver o problema da sua cidade.

Stach insisti em ficar na cidade para cumprir sua missão, e pede para a prefeita tudo sobre o feiticeiro de Equilibrium.

A história é a seguinte: toda noite um velho visita à cidade. A primeira vista é simplesmente um ancião. Seu nome é Pataar. Ele toca a campainha de qualquer casa. Quando é atendido, ele lhe pede uma esmola. Você lhe dá uma esmola, mas não é o suficiente. Precisa lhe dar uma oferenda. Tem que ser algo que você aprecie muito. Algo que você não gostaria de perder.

Após passar em todas as casas da cidade visitadas pelo feiticeiro Pataar, Stach vai conversar com a prefeita, quando inesperadamente a campainha tocou. Ao abrir a porta da sua residência, a prefeita avista o velho feiticeiro.

Pataar falou: eu quero uma esmola. A prefeita respondeu: não tenho nada de valor, então a prefeita tirou do seu bolso a sua carteira e entregou ao velho. Porém, o velho feiticeiro resolveu levar o jovem Stach. A prefeita desmaiou de terror.

Após um tortuoso caminho, ambos sobre um velho triciclo, diante de um vento forte e frio, foram em direção as montanhas. Em seguida chegaram a uma grande caverna.

Ao chegarem dentro da caverna, Stach observou que ardia um intenso fogo, onde concluiu que o velho feiticeiro jogava suas oferendas.

Após um breve diálogo, Stach conseguiu fazer com que o velho feiticeiro contasse o motivo de sempre visitar a cidade de Equilibrium em busca de oferendas. Então Pataar falou: a cidade de Equilibrium vivia em uma situação bastante difícil. A cidade estava localizada em um braço de uma balança e abaixo da cidade existia um abismo sem fim. Se a balança pendesse para o lado da cidade ela cairia no abismo. No outro prato da balança existia um pequeno fogo que mantinha a balança em equilíbrio. Era o pequeno fogo da caverna do velho feiticeiro que mantinha a existência da cidade. O fogo se alimentava de dádivas.

Só havia uma solução. Alguém teria que se oferecer em sacrifício, somente assim o fogo permaneceria acesso por cem mil anos.
Stach convenceu o velho feiticeiro a deixá-lo voltar a cidade com a promessa de voltar no outro dia.

No outro dia lá estava Stach dentro da caverna aguardando o velho feiticeiro. Incrédulo o feiticeiro ficou furioso e expôs os verdadeiros motivos que faziam manter o fogo acesso. 

Então, Pataar, o feiticeiro, joga-se na fogueira. A cidade ficou livre das visitas do velho feiticeiro.

O sétimo e último desafio era sentar na cadeira de pedra do forte da floresta.

O Forte da Floresta era uma pequena aldeia que ficava bem próxima da capital de Katoren. A aldeia era bastante simples tinha uma praça, algumas casas, uma igreja e um bar. A cidade de poucos habitantes, a maioria velhos, porque os jovens tinham ido morar na cidade grande.

Era nessa pequena e simples aldeia que Stach teria que cumprir sua última tarefa.
A história da cadeira de pedra era a seguinte: há vários anos, Katoren tinha um rei que era muito estranho, caprichoso e orgulhoso. A nobreza do reino o ridicularizava pelas costas e o bajulava pela frente. Com exceção dos irmãos Stachhouwr, os condes João e Gilberto. Os condes destemidos enfrentavam abertamente o rei. O rei os odiava.

O rei, por ser uma pessoa bastante orgulhosa, decidiu construir uma obra sem igual em todo mundo. Mas bonita que a catedral de Wiss. A obra seria construída no Forte da Floresta.

Com a orientação do rei a obra começou a ser construída. Obra pronta, toda a nobreza foi convidada para a inauguração, veio gente de todo o reino de Katoren. Após quatro dias de festa os convidados fizeram um círculo ao redor do monumento aguardaram ansiosos pela oportunidade de ver pela primeira vez o grande monumento.

Para decepção do rei, os irmãos, condes João e Gilberto começaram a rir da obra; todas as pessoas contagiadas pelas risadas, também começaram a rir. O que deixou o rei bastante furioso.

Após a grande humilhação, o rei amaldiçoou a todos: Quem sentasse na cadeira de pedra morreria.

Stach escutou atentamente a história e resolveu que, dentro de alguns dias, seria conduzido à cadeira de pedra. Enfim, Stach foi levado até a cadeira de pedras e sentou-se sem nenhum problema, sendo, assim, aclamado pelo povo como o novo rei de Katoren.

Através dessa incrível história, o autor mostra como as pessoas, quando chegam ao poder, têm uma forte tendência de querer se manter a qualquer custo no poder, mesmo que para isso tenham que sacrificar princípios e pessoas.

Os desafios são criativos e engraçados e o leitor fica mesmo curioso para saber como Stach vai resolvê-los. Os desafios chegam a ser um exercício de lógica, pois não existem palavras mágicas nem lutas de espadas, os problemas tidos como “impossíveis” são na verdade bem fáceis de serem resolvidos quando se tem alguém de fato comprometido em encontrar uma 
solução para eles.

As falas e atitudes dos ministros são de certa forma engraçadas, pois eles representam diferentes personalidades políticas e formas de governo. Embora sejam os ministros os “antagonistas” não são pintados necessariamente como vilões, são os que querem permanecer no poder algo afinal bem próprio do jogo político.

No fim, Stach consegue resolver cada um deles, pois sempre procura entender profundamente cada problema e ir além do que se diz deles. Com este espírito inovador e persistente ele vai conquistando a simpatia do povo e chegando perto da sua almejada coroa.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

A culpa é das estrelas

A culpa é das estrelas, livro do escritor estadunidense John Green (Editora Intrínseca; 283 páginas), é um livro de ficção, romântico. O livro conta a história de dois jovens estadunidense moradores da cidade de Indianapolis, Indiana/EUA.

Hanzel Grace e Augustos Waters são dois jovens adolescentes que acometidos com câncer são obrigados a travar uma longa batalha contra a doença.

Ele, um ex-jogador de basquete estudantil; ela uma estudante.

Ambos se conhecem em uma sessão de autoajuda para os portadores do câncer, em uma igreja.

Passam a ter um relacionamento onde misturam crises existencialistas, como se comportar diante de uma doença devastadora e, principalmente, como lidar com a morte que constantemente rodeia na busca de interromper suas vidas.

Monstra também a dificuldade de relacionamento com os pais e amigos.

Com a turbulência  nas suas vidas ambos se preocupam em saber ou estarem preparados para lidar com a morte. Quem morrerá primeiro?

Diante de tão injusta luta, ambos têm como objetivo discutir com um escritor alcoólatra, Sr. Peter Van Houter, o final de um livro Uma aflição imperial. Viajam a Holanda para discutir com o escritor como termina a intrigante história do livro, entretanto, tem uma enorme decepção com o comportamento agressivo Peter Van Houter.

De volta a Indianapolis voltam ao cotidiano da luta contra a doença, até o trágico e esperado final: a morte de Augustus.


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Fortaleza Digital

Fortaleza Digital, livro do escritor estadunidense Dan Brown (Editora Sextante; 297 páginas), é um livro de ficção que conta uma interessantíssima história envolvendo a Agência Nacional de Segurança – NSA, importante agência de espionagem norte americana que tem o desiderato de interceptar todas as transmissões de dados e voz que circulam pelo mundo. O papel principal da NSA é descodificar informações que circulam pelo mundo de forma cifradas ou criptografadas.

A presente ficção conta com a presença de três personagens importantes na trama: Susan Flecher, especialista em criptografia, chefe do Departamento de Criptografia da NSA, que quando adolescente se interessou por criptografia no ensino médio, quando um de seus amigos digitou para ela uma poesia de amor e encriptou-a usando uma cifra de substituição numérica. Susan encucada com o poema criptografado conseguiu decifrá-lo e se encantou magicamente pela poesia. Quase vinte anos depois, logo após completar seu mestrado em matemática pela Johns Hopkins e de obter uma bolsa integral para estudar Teoria dos Números no MIT – Instituto de Tecnologia de Massachusetts – logo em seguida foi convidada para trabalhar na NSA.

David Becker, professor titular da Universidade de Georgetown, especialista em línguas estrangeiras, dotado de uma prodigiosa memória, fluente em vários idiomas com domínio em seis dialetos da Ásia.
Comandante Strathomore, vice-diretor de operações da SNA, homem de 56 anos. Acima de Strathomore só existia na hierarquia da agência de segurança, o Diretor Leland Fontaine.

NSA é a sigla para Agência Nacional de Segurança, fundada e criada pelo Governo do Presidente Truman, no dia 4 de novembro de 1952, considerada a agência de inteligência mais clandestina do mundo por quase cinquenta anos. A NSA tem por objetivo proteger as comunicações do governo dos Estados Unidos da América do Norte e, principalmente, interceptar as comunicações de forças estrangeiras. Faz parte do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Número de funcionário é mantido em sigilo, entretanto, supõe-se que existam entre trinta a quarenta mil funcionários.

A sede da SNA tem 350 mil metros quadrados e fica localizada nas colinas de Fort Meade, em Maryland.

Dentro da SNA existe uma divisão global de reconhecimento denominada de Comint (Communications Intelligence). A é uma rede de postos de escutas, satélites, espiões e grampos de telefones ao redor do planeta. Diariamente, milhares de comunicados, conversas são interceptadas e enviadas para a SNA, onde são decodificadas e, se for o caso, distribuídas para o FBI, DEA e CIA e, também, para consultores de políticas externa dos EUA.

Pois bem. A estória-ficção começa com a morte de um ex-funcionário da SNA, Ensei Tankado, em uma praça na cidade de Sevilha, Espanha. Aparentemente a morte de Ensei Tankado decorreu de um fulminante ataque cardíaco. Entretanto, com a tentativa de socorre-lo algumas pessoas se aproximam e Tankado vendo que ali sua vida de esvaia tenta desesperadamente entregar, a qualquer pessoa, um anel dourado com inscrições entalhada.

Diante da misteriosa morte do ex-funcionário da SNA começa a se desenrolar uma trama incrível, onde Susan, Becker e outras pessoas são manipuladas pelo vice-diretor da SNA, o comandante Strathomore.

A ideia central da trama é que Ensei Tankado, por discordar da política de violação de privacidade de milhões de pessoas pelo mundo, blefa ao sugerir que criou um programa que seria indecifrável e que disponibilizaria seu programa, gratuitamente, para todos as pessoas interessadas em manter suas mensagens no mais absoluto sigilo.

Porém, a SNA possui um supercomputador chamado de TRANSLITER, criando em 1980. O TRANSLITER tinha custado aos cofres públicos norte-americanos 1,9 bilhões de dólares e possuía nada mais, nada menos que três milhões de processadores e vários anos de pesquisa e estudos para seu desenvolvimento.

O suposto programa indecifrável, na verdade, era uma potencial ameaça ao mais espetacular computador criado pela mente humana e para o comandante Strathomore isso jamais poderia acontecer. O programa teria uma série criptografada indecifrável. Pois assim, caso o programa de Tankado caísse em domínio público, tornaria o supercomputador totalmente obsoleto e milhões de dólares seriam jogados na lata do lixo, e o pior, deixaria, os Estados Unidos totalmente à mercê de terroristas, traficantes e demais inimigos potenciais ou imaginários do poder dos Ianques. A SNA deixaria de existir.

No desenvolver da estória, demonstra o potencial controle que as agências de espionagens norte americanas têm em todo o nosso planeta. Eles controlam tudo, desde conversas telefônicas até os mais sigilosos e-mails de qualquer pessoa. Desde pessoas comuns até chefes de Estados.

Por fim, descobre-se que o suposto programa indecifrável, não passa de um programa viral redundante que deixa o supercomputador TRANSLITER trabalhando por horas sem um lograr êxitos em seus objetivos de decifrar códigos criptografados.

O livro mostra, como é peculiar nos livros de autoria de Dan Brown, um fio bastante tênue entre a ficção e a realidade.

A ficção fica caracterizada pela estória vibrante que o autor mostra em seu livro. Já a realidade fica explicita ao mostrar ao leitor a existência concreta da SNA, órgão do Governo dos Estados Unidos que ficou desconhecida por vários anos, suas ações e seu papel pelo mundo.

Hoje, assistimos, diariamente, a mídia mostrar ao Mundo o que o Governo dos Estados Unidos é capaz de fazer para manter intacto seu poderio econômico, industrial, político e, principalmente, militar. O uso da tecnologia da informação é primordial para manter a hegemonia dos norte-americanos diante de outras nações.

Diante da espionagem eletrônica, dois personagens saltaram da ficção para a realidade, e mostraram ao Mundo como os Estados Unidos conseguem espionar “amigos” e “inimigos” sem nenhum escrúpulo, desde Angela Merkel, Primeira Ministra da Alemanha a Presidente do Brasil, Dilma Rousseuff, até grandes empresas como a Petrobras etc, Bradley Edward Manning, soldado estadunidense, analista de informação no Iraque e no Afeganistão e Edward Snowden, especialista em computadores que trabalhou na CIA e foi também funcionário da SNA.

O cúmulo do absurdo da espionagem americana é que nem os congressistas estadunidenses escapam aos olhos e ouvidos do Tio Sam.

O primeiro, Bradley Edward Manning propagou ao Mundo o poder norte-americano ao relatar assassinatos de vivis, ordens de execução, traição de aliados, corrupção de adversários etc. Especula-se que a chamada “Primavera Árabe” só ocorreu após Bradley Edward Manning dispor ao público o alto grau de corrupção e submissão dos títeres que governavam os países na região.

O segundo, Edward Snowden, por sua vez, mostrou como o governo dos Estados Unidos espionavam todas as formas de comunicação (telefonia e e-mails) de países tidos como amigos pelo governo da Casa Branca, Algela Merkel e Dilma Rousseff.

Nada e ninguém está absolutamente a salvo da espionagem dos Estados Unidos.

Como a SNA é uma instituição que se enquadra no Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América há mais de 50 anos, então, conclui-se que desde os distantes anos 50 as nações têm seus sistemas de comunicação violados pelo governo imperialista norte-americano, década a década, tudo em nome das liberdades democráticas, lógico, do ponto de vista dos governos norte-americanos.

Só para se ter uma ideia do alto grau de espionagem, não há números precisos, mas em janeiro passado o Brasil ficou pouco atrás dos Estados Unidos, que teve 2,3 bilhões de telefonemas e mensagens espionados.

O Brasil, com extensas redes públicas e privadas digitalizadas, operadas por grandes companhias de telecomunicações e de internet, aparece destacado em mapas da agência americana como alvo prioritário no tráfego de telefonia e dados (origem e destino), ao lado de nações como China, Rússia, Irã e Paquistão (fonte: http://oglobo.globo.com/mundo/o-escandalo-da-espionagem-dos-eua-10191175).

Mesmo com os protestos de vários países, Dilma Rousseff fez até um discurso na Assembleia Geral da UNO, pela interrupção imediata do programa de espionagem dos Estados Unidos, com certeza os EUA não vão querer cessar sua supremacia em todo o Mundo.

Por fim, faço esse paralelo entre a ficção do livro “Fortaleza Digital” de Dan Brown com os fatos amplamente divulgados na mídia nacional e internacional sobre a força do imperialismo dos Estados Unidos em espionar todas as nações e todos os cidadãos do mundo, uma afronta sem precedentes, na garantia dos direitos individuais e, principalmente, uma violação aos direitos de proteção a intimidade e a inviolabilidade das comunicações dos cidadãos do Mundo. O "Olho da Providência".

sábado, 5 de julho de 2014

O Mapa Fantasma

O Mapa Fantasma, livro do escritor estadunidense Steven Johnson (Editora Zahar; 271 páginas), é um livro que conta a história de dois homens que, paralelamente, estudam um surto de cólera em Londres, no ano de 1854.

A cidade de Londres vivia seu apogeu da era vitoriana, uma cidade esplendorosa e poderosa, metrópole e sede de um grande império, entretanto, alicerçada em toneladas de lixo e dejetos humanos e todo o tipo de sujeira e insalubridade que se possa imaginar. Londres sofre com o violento surto de cólera que ceifa milhares de vidas. Homens, mulheres, adultos, crianças, ricos e pobres sofrem com tão grave doença.

Neste contexto, surgem as figuras de dois obstinados homens que, incansável e obstinadamente, com uma tecnologia que dispunha para o século XIX, resolveram pesquisar e estudar qual seria o vetor principal na transmissão de tão horrenda e fulminante doença.

O primeiro, John, Snow, nascido em 15 de março de 1813 em York, Inglaterra, cientista, médico, epidemiologista e sanitarista.

O segundo, Henry Witehead, 22 setembro de 1825 - 5 de março de 1896, pároco auxiliar na igreja de São Lucas, trabalhou como missionário nos bairros pobres de Londres à época do grande surto de cólera de 1854.

Estes dois homens mudaram o destino da Londres vitoriana e, consequentemente, das grandes metrópoles modernas, ao combaterem de forma tenaz o vibrião colérico (Vibrio cholerae).

Snow, cientista, com uma tese que ia de encontro ao paradigma dominante do miasma – teoria que aponta o ar poluído e contaminado como o grande transmissor de várias doenças, dentre elas a cólera – defendeu de forma eficaz e científica que o principal transmissor da doença é a água contaminada pelo vibrião do cólera.

Whitehead, um crente obstinado da teoria miasmática da doença, trabalhou para refutar falsas teorias, eventualmente, preferiu a ideia do dr. Da John Snow, que a cólera se espalha através de água contaminada por dejetos humanos.

A época desse importante surto de cólera, Londres, com uma população em torno de dois milhões de habitantes, tinha uma parcela considerável de seus habitantes vivendo exclusivamente de dejetos e lixo: catadores de ossos, catadores fezes, junta trapos, lameiros, exploradores de esgotos, limpadores de fossa, cata-velas, cata-bagulhos, varredores de costa. Era uma classe de trabalhadores que, para sobreviverem, em Londres promissora.


Por fim, Snow, consegue dentro da comunidade londrina provar que o vetor da transmissão e, consequentemente, aniquilamento de milhares de vidas, era uma simples bomba d’água que abastecia um pobre bairro proletário da Londres vitoriana.

Um bom livro, onde se deduz que uma teoria científica bem elaborada e bem fundamentada pode, muito bem, se sobrepor a preconceitos ou a dogmas e a ideias sem bases concretas.