Sete desafios para ser rei, livro
do escritor holandês Jan Terlouw (Editora Ática; 167 páginas), é um livro de
ficção juvenil que conta a história de um jovem que nasceu no dia da morte do
rei de seu país.
A história de passa na cidade de
Katoren, cuja capital é Wiss. O rei de Katoren, já bastante idoso, tinha como
último desejo morrer em uma noite de tempestade, com raios e trovões.
Naquela mesma noite, nasceu
Stach. O pai de Stach era um pedreiro que trabalhava na restauração da catedral
de Santo Aluísio, a maior da capital Wiss. Na manhã seguinte a morte do rei e
ao nascimento de seu filho Stach, um mensageiro do palácio pediu que o pedreiro
que hasteasse, no alto da torre da catedral, a bandeira a meio pau. No
cumprimento dessa simples tarefa o pedreiro, por ter passado a noite acordado
aguardando o nascimento do filho, escorregou do alto da torre e morrera. A mãe
de Stach, após a notícia da morte de seu esposo ficou profundamente abalada,
foi acometida por uma doença e morreu dias depois.
A criança foi então criada por
seu tio de nome Gervásio, fiel criado do rei.
Como o velho rei não tinha
deixado descendentes, ou seja, ninguém para sucedê-lo no trono do Katoren, o
país passou a ser governado por seis ministros que formariam um governo
provisório. A promessa dos ministros ao povo de Katoren era que em breve um
novo rei seria escolhido para governar o país.
Após dezessete anos da morte do
rei, o jovem Stach, determinado a se tornar o novo rei de Katoren, confronta os
ministros e se candidata para sucedê-lo.
Os ministros eram: Carlos
Recto, ministro da Honestidade, Bonifácio Hermano, ministro da
Virtude, Antonio Ligeiro, ministro da Eficiência, Sebastião Dureza,
ministro do Regulamento e da Ordem, Henrique Sisudo, ministro da
Severidade, Felipe Vassouras, ministro da Limpeza, sentindo seus
interesses ameaçados, escolhem sete desafios, aparentemente impossíveis de
serem resolvidos, para que o jovem Stach cumpra.
São desafios de governo, isto é,
o jovem terá que resolver alguns dos problemas enfrentados pelas cidades do
reino.
Stach terá de viajar por todo o reino e vencer cada desafio. As
provações impostas pelos governantes seriam:
1º - silenciar os pássaros
ensurdecedores da cidade de Decibel;
2º - cortar o pé de romã
explosivo da cidade de Polvorinho;
3º - exterminar o dragão de sete
cabeças da cidade de Fumaceira;
4º - fazer com que as igrejas da
cidade de Ecumênica, parassem de se moverem;
5º - pular de cima da torre da
catedral;
6º - resolver o problema do nariz
vegetal;
7º - O sétimo e último desafio
era sentar na cadeira de pedra do Forte da Floresta.
Os pássaros de Decibel
Decibel era uma cidade que se
localizava no extremo nordeste do reino de Katoren. Ao chegar à cidade Stach
foi dominando por uma estranha sensação de abandono. Os habitantes caminham
sempre apressados e silenciosos. Todos naquela cidade usavam gorros ou tinha a
cabeça coberta.
Ele saiu andando pelas ruas de
Decibel a procura da prefeitura da cidade, quando de repente uma moça sai
correndo de sua casa e vai a sua direção gritando; entram na casa desta moça e
conversa. Ela vai falando sobre os pássaros que periodicamente sobrevoam a
cidade fazem um barulho estridente. O problema é que os pássaros quando estavam
reunidos faziam tanto barulho em uma intensidade tão grande que acabava
rompendo os tímpanos e deixava as pessoas surdas caso não tivessem protegidos
seus ouvidos com tampões. A moça lhe dá um tampão de ouvido e lhe dar
informações onde ficaria a prefeitura, então Stach vai à prefeitura e fala com
prefeito sobre suas intenções.
Após conhecer o prefeito da
cidade, Stach é convidado participar de uma reunião com os vereadores da cidade
e explicar sua missão. Porém, na reunião, cada vereador tinha sua própria ideia
a respeito do problema: Moven, queria produzir um som no qual os pássaros não
gostassem, já uma senhora queria construir uma cúpula de vidro ao redor da
cidade e o Blankert queria fazer com que os pássaros imitassem outro som
produzido por eles.
No dia seguinte à reunião com os
vereadores, Stach, vai a uma loja de som, fala com o dono para lhe emprestar os
equipamentos como apoio, mas o proprietário da loja não concorda, mas ao chegar
seus filhos que concordam com a ideia, daí ele coloca todo os equipamentos na
praça da cidade e fica esperando os pássaros aparecerem; eles aparecem e Stach
aumenta o volume do som e os pássaros começam a competir com o som, entretanto,
os pássaros acabam ficando com problemas nas cordas vocais e param de cantar,
todos pensam que estão surdos mas começam a escutar os barulhos das portas, da
tosse e etc. O problema foi resolvido, então é declarado sete dias e sete noites
de festa na cidade de Decibel.
Cortar o pé de romã explosivo da cidade de
Polvorinho.
Stach volta para Wiss e é
designado para uma nova missão, descobrir porque uma árvore de Romã solta
granadas.
Ao chegar à cidade de Polvorinho,
Stach vai até o prefeito e fala para ele fechar a fábrica de granadas, mas ele
não aceita, pois a fábrica gera muito emprego para os cidadãos e produz
armamentos que servem para a defesa do país. Então, Stach, inventa junto com o
prefeito uma história para enganar os ministros e parar a produção de granadas.
A história é que a prefeitura tem que contratar um administrador para a
fábrica, senhor Smith, alegando que a prefeitura tem dado muito trabalho, daí
eles param de fabricar granadas e passam a fabricar fogos de artifício sem
pólvora, então as romãs começam a parar de ser explosivas. Dois meses depois as
romãs não mais assustam ou causam perigos com suas explosões, o problema foi
resolvido.
Então, novamente, Stach volta
para Wiss avisando que havia terminado a segunda missão, mas os ministros não
acreditam, e dizem que as árvores caíram somente depois lerem a carta do
prefeito da cidade de Polvorinho mudaram de opinião.
A próxima missão seria derrotar o dragão de sete
cabeças.
Stach partiu para a cidade de
Fumaceira, chegando lá percebe que quase ninguém anda nas ruas, a maioria dos
cidadãos gosta de trabalhar e são ricos, então ele tem uma ideia.
Pede alguns materiais, que
somente um senhor fabricava. Pede para os demais cidadãos recolherem todos os
pássaros que encontrarem mortos e entregando-os. Stach abre a barriga de cada
pássaro e coloca os materiais que ele pediu; feito isso ele pede para os
dragoneiros jogarem os pássaros lá bem perto do dragão de sete cabeças; o
dragão come os pássaros e fica com enxofre, salitre e carvão no seu organismo,
então ele procura algo que faça uma explosão grande mas não encontra, então ele
pergunta ao prefeito se ele tem fogos de artifício, ele diz que tem, então ele
pega os fogos e vai ao pântano onde habita o dragão; quando o dragão está se
aproximando ele atira os fogos de artifícios, Stach pensa que errou, mas o
dragão abre sua boca e engole os fogos e explode e o céu de Fumaceira volta a
ficar azul e recebendo os raios de sol, ele descobriu que o dragão não poderia
pegar sol, por isso uma grande fumaça amarela de enxofre cobria a cidade.
Stach é designado para sua quarta
missão, que seria fazer com que as igrejas da cidade de Ecumênica parassem de
se mover; ele observa que elas destroem tudo quem vem pela frente, mas aí ele
tenta fazer com que elas se encontrem no Ático, e quando elas se encontram
param de se mover, a cidade faz a maior festa.
Pensando ele, que vinha a quinta
missão, os ministros tentaram enganá-lo querendo aumentar os números de desafios,
porém, não houve acordo entre os ministros, então foi criada mais uma missão,
chamada de quarta. A missão era pular de uma torre da catedral, mas, seu tio
foi ao jornal mais popular do reino e mandou postar qual era o desafio, todos
viram e levaram travesseiros.
No início, Stach não iria pular,
mas, quando observou que todos ali o apoiavam, ou seja, fizeram uma torre de
travesseiros, resolveu pular, pulou e pulou mais se uma vez e quando terminou
de pular foi em busca da quinta missão.
O nariz de vegetal.
Sua quinta missão seria ir a Ingenuinópolis,
resolver o problema do nariz vegetal. Assim que chegou percebeu que a cidade
era bastante pobre, pois não havia ruas asfaltadas, as casas eram pequenas
etc., tratou logo de procurar o prefeito da cidade, dessa vez foi mais difícil
de encontrá-lo, então foi à casa do prefeito, nem o prefeito sabia o que estava
acontecendo na cidade. Stach descobre, entretanto, que foi a esposa do prefeito
que mandou a carta para os ministros.
Stach teria que fazer pomadas
para tratamento do nariz vegetal ficarem mais baratas, ele entra numa reunião
de taras, e vê não tem reunião nenhuma que era apenas uma reunião em que os
médicos bebiam, ele consegue enrolar uma tara que lhe fala a receita: terra do
pântano, farinha fermentada, óleo e vinagre, para dar a cor ele pingava
corante.
Ele tentou falar para o prefeito,
mas, o prefeito não acreditou, ele jogou fora a pomada feita pelo tara e fez
outra na frente do prefeito, então foi que começaram a acreditar, ele não
acreditou na primeira vez porque a consulta com o tara era muito cara e o
remédio então nem se fala, por isso que quase ninguém se curava, era preciso
reaplicar o remédio para os narizes desaparecem ele descobriu isso quando pediu
alguns restos de pomada juntou tudo e entregou a uma menina que tinha o nariz
vegetal, ela percebeu que o nariz estava diminuindo, ele convoca todos para
irem a praça para ver, ele ensina como faz, as pessoas ficam alegres e com
raiva ao mesmo tempo, por terem sido enganadas esse tempo todo.
Mas para voltar nem Stach, nem o
prefeito tinham dinheiro, mas aí a esposa do prefeito lembrou que tinha um
dinheiro guardado, era do piano que eles iam comprar. Com esse dinheiro deram
sua passagem para Stachg voltar para Wiss.
Pataar, o feiticeiro.
Sua sexta missão era ir para a cidade
chamada Equilibrium, descobrir por que a cidade tinha um feiticeiro que
visitava a cidade toda as noites. Stach assim que chega vê que a cidade é muita
bonita e aparentemente não tem nada de estranho, então procura a prefeita, que
diz a ele para ir embora; que ninguém tinha, até então, conseguido resolver o
problema da sua cidade.
Stach insisti em ficar na cidade
para cumprir sua missão, e pede para a prefeita tudo sobre o feiticeiro de
Equilibrium.
A história é a seguinte: toda
noite um velho visita à cidade. A primeira vista é simplesmente um ancião. Seu
nome é Pataar. Ele toca a campainha de qualquer casa. Quando é atendido, ele
lhe pede uma esmola. Você lhe dá uma esmola, mas não é o suficiente. Precisa
lhe dar uma oferenda. Tem que ser algo que você aprecie muito. Algo que você
não gostaria de perder.
Após passar em todas as casas da
cidade visitadas pelo feiticeiro Pataar, Stach vai conversar com a prefeita,
quando inesperadamente a campainha tocou. Ao abrir a porta da sua residência, a
prefeita avista o velho feiticeiro.
Pataar falou: eu quero uma
esmola. A prefeita respondeu: não tenho nada de valor, então a prefeita tirou
do seu bolso a sua carteira e entregou ao velho. Porém, o velho feiticeiro
resolveu levar o jovem Stach. A prefeita desmaiou de terror.
Após um tortuoso caminho, ambos
sobre um velho triciclo, diante de um vento forte e frio, foram em direção as
montanhas. Em seguida chegaram a uma grande caverna.
Ao chegarem dentro da caverna,
Stach observou que ardia um intenso fogo, onde concluiu que o velho feiticeiro
jogava suas oferendas.
Após um breve diálogo, Stach
conseguiu fazer com que o velho feiticeiro contasse o motivo de sempre visitar
a cidade de Equilibrium em busca de oferendas. Então Pataar falou: a cidade de
Equilibrium vivia em uma situação bastante difícil. A cidade estava localizada
em um braço de uma balança e abaixo da cidade existia um abismo sem fim. Se a
balança pendesse para o lado da cidade ela cairia no abismo. No outro prato da
balança existia um pequeno fogo que mantinha a balança em equilíbrio. Era o
pequeno fogo da caverna do velho feiticeiro que mantinha a existência da
cidade. O fogo se alimentava de dádivas.
Só havia uma solução. Alguém
teria que se oferecer em sacrifício, somente assim o fogo permaneceria acesso
por cem mil anos.
Stach convenceu o velho
feiticeiro a deixá-lo voltar a cidade com a promessa de voltar no outro dia.
No outro dia lá estava Stach
dentro da caverna aguardando o velho feiticeiro. Incrédulo o feiticeiro ficou
furioso e expôs os verdadeiros motivos que faziam manter o fogo acesso.
Então,
Pataar, o feiticeiro, joga-se na fogueira. A cidade ficou livre das visitas
do velho feiticeiro.
O sétimo e último desafio era sentar na cadeira de
pedra do forte da floresta.
O Forte da Floresta era uma
pequena aldeia que ficava bem próxima da capital de Katoren. A aldeia era
bastante simples tinha uma praça, algumas casas, uma igreja e um bar. A cidade
de poucos habitantes, a maioria velhos, porque os jovens tinham ido morar na
cidade grande.
Era nessa pequena e simples
aldeia que Stach teria que cumprir sua última tarefa.
A história da cadeira de pedra
era a seguinte: há vários anos, Katoren tinha um rei que era muito estranho,
caprichoso e orgulhoso. A nobreza do reino o ridicularizava pelas costas e o
bajulava pela frente. Com exceção dos irmãos Stachhouwr, os condes João e
Gilberto. Os condes destemidos enfrentavam abertamente o rei. O rei os odiava.
O rei, por ser uma pessoa
bastante orgulhosa, decidiu construir uma obra sem igual em todo mundo. Mas
bonita que a catedral de Wiss. A obra seria construída no Forte da Floresta.
Com a orientação do rei a obra
começou a ser construída. Obra pronta, toda a nobreza foi convidada para a
inauguração, veio gente de todo o reino de Katoren. Após quatro dias de festa
os convidados fizeram um círculo ao redor do monumento aguardaram ansiosos pela
oportunidade de ver pela primeira vez o grande monumento.
Para decepção do rei, os irmãos,
condes João e Gilberto começaram a rir da obra; todas as pessoas contagiadas
pelas risadas, também começaram a rir. O que deixou o rei bastante furioso.
Após a grande humilhação, o rei
amaldiçoou a todos: Quem sentasse na cadeira de pedra morreria.
Stach escutou atentamente a
história e resolveu que, dentro de alguns dias, seria conduzido à cadeira de
pedra. Enfim, Stach foi levado até a cadeira de pedras e sentou-se sem nenhum
problema, sendo, assim, aclamado pelo povo como o novo rei de Katoren.
Através dessa incrível história,
o autor mostra como as pessoas, quando chegam ao poder, têm uma forte tendência
de querer se manter a qualquer custo no poder, mesmo que para isso tenham que
sacrificar princípios e pessoas.
Os desafios são criativos e
engraçados e o leitor fica mesmo curioso para saber como Stach vai resolvê-los.
Os desafios chegam a ser um exercício de lógica, pois não existem palavras
mágicas nem lutas de espadas, os problemas tidos como “impossíveis” são na
verdade bem fáceis de serem resolvidos quando se tem alguém de fato
comprometido em encontrar uma
solução para eles.
As falas e atitudes dos ministros
são de certa forma engraçadas, pois eles representam diferentes personalidades
políticas e formas de governo. Embora sejam os ministros os “antagonistas” não
são pintados necessariamente como vilões, são os que querem permanecer no poder
algo afinal bem próprio do jogo político.
No fim, Stach consegue resolver
cada um deles, pois sempre procura entender profundamente cada problema e ir
além do que se diz deles. Com este espírito inovador e persistente ele vai
conquistando a simpatia do povo e chegando perto da sua almejada coroa.