sábado, 5 de julho de 2014

O Mapa Fantasma

O Mapa Fantasma, livro do escritor estadunidense Steven Johnson (Editora Zahar; 271 páginas), é um livro que conta a história de dois homens que, paralelamente, estudam um surto de cólera em Londres, no ano de 1854.

A cidade de Londres vivia seu apogeu da era vitoriana, uma cidade esplendorosa e poderosa, metrópole e sede de um grande império, entretanto, alicerçada em toneladas de lixo e dejetos humanos e todo o tipo de sujeira e insalubridade que se possa imaginar. Londres sofre com o violento surto de cólera que ceifa milhares de vidas. Homens, mulheres, adultos, crianças, ricos e pobres sofrem com tão grave doença.

Neste contexto, surgem as figuras de dois obstinados homens que, incansável e obstinadamente, com uma tecnologia que dispunha para o século XIX, resolveram pesquisar e estudar qual seria o vetor principal na transmissão de tão horrenda e fulminante doença.

O primeiro, John, Snow, nascido em 15 de março de 1813 em York, Inglaterra, cientista, médico, epidemiologista e sanitarista.

O segundo, Henry Witehead, 22 setembro de 1825 - 5 de março de 1896, pároco auxiliar na igreja de São Lucas, trabalhou como missionário nos bairros pobres de Londres à época do grande surto de cólera de 1854.

Estes dois homens mudaram o destino da Londres vitoriana e, consequentemente, das grandes metrópoles modernas, ao combaterem de forma tenaz o vibrião colérico (Vibrio cholerae).

Snow, cientista, com uma tese que ia de encontro ao paradigma dominante do miasma – teoria que aponta o ar poluído e contaminado como o grande transmissor de várias doenças, dentre elas a cólera – defendeu de forma eficaz e científica que o principal transmissor da doença é a água contaminada pelo vibrião do cólera.

Whitehead, um crente obstinado da teoria miasmática da doença, trabalhou para refutar falsas teorias, eventualmente, preferiu a ideia do dr. Da John Snow, que a cólera se espalha através de água contaminada por dejetos humanos.

A época desse importante surto de cólera, Londres, com uma população em torno de dois milhões de habitantes, tinha uma parcela considerável de seus habitantes vivendo exclusivamente de dejetos e lixo: catadores de ossos, catadores fezes, junta trapos, lameiros, exploradores de esgotos, limpadores de fossa, cata-velas, cata-bagulhos, varredores de costa. Era uma classe de trabalhadores que, para sobreviverem, em Londres promissora.


Por fim, Snow, consegue dentro da comunidade londrina provar que o vetor da transmissão e, consequentemente, aniquilamento de milhares de vidas, era uma simples bomba d’água que abastecia um pobre bairro proletário da Londres vitoriana.

Um bom livro, onde se deduz que uma teoria científica bem elaborada e bem fundamentada pode, muito bem, se sobrepor a preconceitos ou a dogmas e a ideias sem bases concretas.

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